Sobre viver com metástase

Oi, meu nome é Ana Michelle, ou AnaMi como gostam de me chamar. Tenho 30 e poucos, sou 100% sagitariana, jornalista, assessora de imprensa e escritora nas horas vagas. Gosto de correr, prefiro alimentação orgânica, não bebo (muito rs),  adoro dançar sertanejo juntinho, ir pra balada com as amigas e me apresentar como Renata para entrar no clima de solteira sem limites ( pq eu não sou município pra ter limites). Gasto uma grana danada com roupa, sou viciada em maquiagem e tenho prazer em planejar minha viagem de férias… e vivê-la intensamente.   Já amei muito, declarei que duraria “até que a morte nos separe”, mas foi a menina do RH que realizou esse feito. Sofri (quem nunca?!). Mas o dia amanheceu e a vida seguiu…

O que eu tenho de diferente? Nada!

Minha história poderia ser igual a tantas outras se não fosse por um pequeno detalhe: eu tenho câncer! Sim, no presente. Tenho câncer desde 2011 e nunca poderei utilizar essa sentença no passado. Descobri aos 28 anos e, desde então, já acumulo no currículo mais de 30 sessões de quimioterapia, 7 cicatrizes, centenas de agulhadas e temporadas careca. Triste? Pode ser! Mas é uma realidade com a qual eu aprendi a conviver e a verdade é que me sinto mais saudável do que a maioria das pessoas que eu conheço.

Bom, você sabe,  morrer não é uma opção, é uma certeza comum a todos os seres humanos. A diferença é que passamos a maior parte da nossa vida fingindo que o nosso futuro é infinito e a morte vai acontecer apenas aos 150 anos, quando estivermos velhinhos numa cama quente. Lá vai uma notícia: com, ou sem câncer, a vida acaba, muitas vezes de forma inesperada. E não importa as milhares de horas que investiu estudando, ou trabalhando, ou os emails que tem para responder, as metas financeiras que estabeleceu, aquela blusa linda que não usou esperando “a ocasião”, as pendências emocionais. Nada importa. Acho que todos deveriam ter esse encontro com a realidade… pensar no fim abre os olhos para um novo “sentimento” chamado prioridade.

Hoje convivo com essa certeza do fim. Certeza esta que deveria ser comum e refletida por todos. Saber que o fim da linha pode estar ali na próxima curva me trouxe um universo de possibilidades que eu jamais havia experimentado enquanto acreditava ser eterna. Não tenho tempo a perder. E eu saboreio de colherzinha cada segundo de vida que o universo me proporciona.

E, se você é “saudável”  e tem toooda a vida pela frente,  fuja do caminho mais raso e fácil da superficialidade. A vida é feita de escolhas e eu desejo que você não descubra tarde demais que o tempo passa e é hoje que você tem que arriscar, mudar e se permitir!

Se eu tenho medo de morrer? Não. Tenho medo é de não viver.  Pode ser que eu tenha apenas mais 1 dias, ou pode ser que eu tenha muitos anos ainda pela frente. Ninguém sabe. Mas cada vez que eu respiro e sinto o ar invadindo meus pulmões minha vontade se renova e eu vou continuar por aqui sorrindo, chorando, me divertindo, amando, me decepcionando, sofrendo, dançando, gastando, abraçando, vivendo com toda a profundidade e sinceridade de sentimentos que meu coração é capaz… porque se tem uma coisa que o câncer me ensinou é que nada é mais importante do que simplesmente viver!

Permita-se! Sempre!

Comentários

3 comentários

  1. Marcia

    AnaMi! Caí aqui no seu comentário na hora e dia certo. Gratidão por compartilhar sua experiência! Abraço #tamojunto

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