Quimioterapia x Corrida. É possível sim!

A descoberta do câncer é algo muito complicado em nossas vidas, somos pegas de surpresa e consequentemente tudo que tínhamos planejado para o nosso caminho se transforma. Nossa rotina é invadida por exames e consultas que nos deixam absortas, vagando de um consultório para outro recebendo uma avalanche de informações novas e assustadoras.

Quando entendemos que será inevitável a luta contra essa realidade, ouvimos dos médicos os planos dessa nova jornada, somamos com informações de amigas do peito que já passaram por aquilo e passamos a seguir o passo a passo do cruel tratamento, praticamente sem questionar nada. Somos frequentemente furadas, pesadas, apalpadas e analisadas. Esperamos todos aqueles efeitos já adiantados pelos médicos, mas temos que lidar sozinhas com os enjoos, vista embaçada, fadiga, dor muscular, queda de cabelo e aumento de peso. A grande questão é: por que aceitamos todos esses efeitos ao invés de questionar o que poderia ser feito para amenizá-los?

Foi na minha jornada como paciente oncológica que surgiu essa dúvida. Um dia depois da primeira quimioterapia branca quando eu começava a sentir fortes dores musculares, levantei da cama e disse a mim mesma que não poderia ficar parada sofrendo, precisava fazer alguma coisa. Como Fisioterapeuta, eu sabia dos efeitos fisiológicos das atividades físicas no organismo, então levei meu corpo cansado para caminhar no parque. Essa primeira aventura me proporcionou uma sensação de ânimo muito grande, além do alívio das dores musculares. Para ter certeza de que não era coincidência, no dia seguinte fui ao parque novamente e durante a minha caminhada eu senti saudade de correr, e contra toda a reprovação do meu marido extremamente cuidadoso e preocupado, corri 2.2 km.

Primeiros 2.2km após quimio branca – out/2016

Na sessão de quimioterapia seguinte, o meu marido já chegou me delatando à Oncologista dizendo que estava abusando ao invés de repousar. Para o nosso espanto, a médica reagiu muito feliz à notícia e afirmou que o exercício físico é uma ferramenta incrível na redução dos efeitos colaterais da quimio, bem como no controle de peso e qualidade de vida, mas que normalmente é rejeitado pelas pacientes e por isso acaba sendo ignorado como recomendação médica.

Analisando essa informação eu percebi que nós temos o costume de aceitar os tratamentos mais doloros e recomendações médicas que nos privam de diversas coisas, no entanto ignoramos algo que poderia proporcionar efeitos benéficos a curto, médio e longo prazo, só porque demanda esforço e força de vontade.

As atividades físicas durante o tratamento promovem melhora nos sistemas cardiovascular, pulmonar e muscular através do aumento do consumo de oxigênio, melhorando o condiocionamento físico e reduzindo o cansaço de forma significativa. Além disso a realização de exercícios físicos de forma frequente, aumentam a energia e disposição dos paciente em tratamento e otimizam os períodos de sono e descanso, contribuindo para a melhora do metabolismo e bem estar.

As atividades aeróbicas, que são atividades rítmicas de contração e relaxamento de grandes agrupamentos musculares durante um período longo de tempo – como corrida, caminhada, etc, são as mais recomendadas pelos médicos durante o tratamento. No entanto, existem diversos outros tipos de atividades que também podem ser benéficas às pacientes, proporcionando melhora do alongamento e flexibilidade além de promover a correção da postura, como o Pilates e o Yoga.

Precisamos encarar a atividade física como parte do tratamento, assim como fazemos com o Tamoxifeno, Zoladex e tantos outros, pois só assim vamos conseguir incorporar essa prática em nosso dia-a-dia para que se torne um hábito saudável comum em nossas vidas. Sempre vai existir alguma modalidade de exercício que você se identifica, então até quando vamos arranjar desculpas ou justificativas para não realizá-lo?

 

Referências:
Battaglin, C. L, et. al, Atividade física e níveis de fadiga em pacientes portadores de câncer,  Rev Bras Med Esporte _ Vol. 10, Nº 2 – Mar/Abr, 2004
  1. Pedroso et. al, Atividade física na prevenção e na reabilitação do câncer, Motriz, Rio Claro, v.11, n.3, p.155-160, set./dez. 2005

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Roberta Perez é fisioterapeuta especialista na área Cardiorrespiratória pelo Instituto do Coração de SP. Aquariana, caiçara, corredora, tagarela, intensa e apaixonada pela vida. Depois de um câncer de mama aos 27 anos, decidiu realizar todos os desejos e sonhos de sua lista, compartilhando sua jornada nas redes sociais. Siga no insta: @vai.por.mim_

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