Magda Letícia – Câncer de Mama

Quando a vida te dá limões, faça uma limonada.

Essa era a frase que eu tinha em mente durante todo meu período de tratamento. No dia 8 de dezembro de 2014, auge dos meus 26 aninhos, eu ouvi do mastologista as seguintes frases, enquanto o chão se abria embaixo da cadeira: ” Isso ai é maligno. E você precisa ser forte, porque você é jovem. Quanto mais jovem, mais agressivo. (agressiva sou eu meu  bem, dando na cara desse câncer)” Isso ai a que ele se referia era um nódulo pal

pável, perceptível e de caráter inflamatório, que eu senti pela primeira vez fazendo um auto-exame na hora do banho, no mês de setembro. Foi complicado chegar a um diagnóstico porque eu era jovem, os exames de imagem não pegavam o nódulo, e todo mundo (inclusive eu) achava que poderia ser qualquer coisa, menos câncer.

Desse dia em diante eu vi meu mundinho ,até então organizado e perfeitinho, entrar no meio de um liquidificador. Com 26 anos eu queria estar pensando em tantas coisas, planejando filhos, viajando o mundo, começando uma nova especialização…menos sentada numa cadeira começando uma sessão de quimioterapia.  E foram 8 sessões. Vi meus cabelinhos se suicidando dia após dia, até o dia em que resolvi dar um basta. Sempre tive em mente que esse período passaria, assim como tudo na nossa vida passa. Então procurei fazer de cada momento especial. O dia de raspar a cabeça foi uma festa. Juntei meus familiares e alguns dos amigos mais chegados, com a ordem de que não podia ter choro. E não teve. (só se alguém chorou escondido) Teve risada, cachorro quente e champanhe. E teve a certeza de que tudo iria dar certo.

Sofri poucos efeitos colaterais, comparados ao que escuto de tanta gente. Minha rotina de salão de beleza, festas, trabalho de manhã, tarde e noite, mudou para exames, consultórios, farmácias e dias na cama curtindo a fossa pós-quimio. Foi um período de descanso e renovação. Veio a cirurgia, a radioterapia e a terapia-alvo. Enquanto tantas mulheres desfilavam seus corpitchos esculturais, eu me via gorda, careca e sem peito. Olhe, não foi fácil passar a fase “bicho de goiaba” (leia-se branca e lisinha). Doeu, mas passou. A palavra de ordem era PACIÊNCIA. Agora, em agosto de 2016 eu iniciei o processo de reconstrução. Foram 5 cirurgias em 1 ano (alô galera da ala cirúrgica, beijo). Em meio a infecções, rejeições e pérolas anestésicas tem dado certo. Hoje eu me olho no espelho e me vejo novamente. Não vejo a Magda de antes, mas a Magda certa. A Magda que eu sou agora, a borboleta que saiu do casulo. E acima de tudo eu agradeço. Agradeço imensamente a Deus por me permitir passar por tudo isso pra fazer de mim o ser humano que sou hoje, por me mostrar que nessa vida nada é, tudo está, e por me permitir usar a minha história para ajudar outras tantas mulheres.

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