Eterno perde e ganha

E como diria o poeta: “A vida é um eterno perde e ganha, num dia a gente perde, num outro apanha…”, D2 Marcelo.

Pois é, hoje mais uma amiga que o câncer me apresentou se foi. Faleceu, virou anjo, morreu… E escrevo assim, sem meias palavras, porque é nesses dias que a gente vê que por mais bonitinhas que as campanhas que lutam contra o câncer possam ser, esta maldita doença é desgraçada mesmo. Não é fácil, não é simples, não é mole não! Para não perder o linguajar D2iano de ser…

Ter câncer não é para os fracos. Você vai ter que encarar o medo de morrer beeeem de pertinho, passar (na sua maioria das vezes!) por cirurgias mutiladoras (Sim… Palavra difícil de ler, né? Mas é isso mesmo… Tiram um pedaço da gente junto com as células suicidas-malucas!), encarar a quimioterapia e todos os seus (d)efeitos colaterais, ter que ver sua família e amigos com cara de choro e segurando para passar força para você e você ainda se sentir culpada por fazer todo mundo passar por isso, por mais que a gente não tenha escolhido esse caminho… Aff… Confuso, né?

Então, assim é a cabeça de alguém com câncer. Um nó. É medo, é angústia, é tristeza… Mas e como você sobrevive a isso? Aí que entra a solidariedade e o motivo pelo qual os grupos de apoio ajudam tanto.

Muitas pessoas me perguntam o porquê de eu ainda participar do grupo Meninas de Peito, mesmo após 6 anos do diagnóstico. Outros me julgam dizendo que eu não deixo essa página virar. Pois é. Essa página não se vira assim. Ninguém que passa por um acontecimento que marca tanto a sua vida, consegue simplesmente apagá-lo.  Alguém se esquece da festa de 15 anos? Da viagem para a Disney? Do pedido de casamento? Eu não me esqueço do laudo da biópsia. Vai me dizer que isso sim não é emoção e de por lágrimas nos olhos de qualquer ser humano?

E para tentar não viver com os olhos marejados forever and ever , é que entrei no mundo dos grupos de apoio. Conhecer pessoas que sabiam exatamente pelo que eu estava passando, tiravam as dúvidas que nenhum médico saberia responder, me ouviam como nenhum psicólogo seria capaz de ouvir, salvou minha vida. Sem exageros. Mas, como tudo na vida, existe o lado bom e o ruim. Por mais que o grupo ajude, nele continuo convivendo com o medo de recidiva, de metástases, de morrer, de perder amigos… Enfim, medo de sofrer.

Mas fingir que o perigo não existe não faz com que ele desapareça, não é? Por isso, optei por não encarar a vida com medo de nada. Prefiro ter o prazer de poder continuar desfrutando de amizades verdadeiras, sorrisos sinceros, gargalhadas de doer a barriga e abraços que só nós sabemos ser capazes de dar a viver com medo do que pode ser…

Afinal, como disse Marcelo…

“As pedras no caminho a gente chuta

É super natural

Não deixo abaixar minha moral

Tenho que me manter em movimento

A vida não é mole mas qualquer parada enfrento, enfrento”

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