E depois da tempestade… Adrenalina!

E quando você acha que o pior passou, que as agulhadas de medicações ficaram para trás, que aquela rotina de consultas semanais está mais distante, exames de sangue quinzenais ficaram no passado, vem a sessão “paciente em remissão” te lembrar que o câncer pode ter saído de você, mas o medo vai ficar para sempre… E tome de mais exames, agenda lotada de médicos e tentar encaixar na rotina de trabalho algumas visitas a laboratórios e clínicas.

 

Sim, porque as pessoas têm dificuldade de encaixar cabelereiro, depilação, sobrancelha na sua vida atribulada de pessoa ocupada, mas você, colega em “remissão”, precisa achar espaço para ressonâncias, ultrassonografias e consulta com o oncologista entre um trabalho e outro… Ó, vida…

 

E tome de corre-corre para fazer exame aqui, jejum ali, tentativas mil de achar veias já massacradas e sofridas e o mais emocionante… A adrenalina de pegar laudos. Porque por mais fé que a gente tenha, por mais que a gente super acredite nos tratamentos modernos, na medicina do século XXI, a gente sente um medo que se pela a cada exame feito. E tome de emoção. Pegar um laudo e abrir sozinha um envelope render mais taquicardia que qualquer programa do canal Off de esportes radicais… E a gente nem ganha programa na TV por isso. Injustiça, né?

 

Além do simples fato de por termos passado por um estresse daqueles ao ouvir um “você está com câncer”, e morrer de medo de que ele volte com todos os comemorativos que isso implica (Mais cirurgia? Quimio de novo? Ficar careca?), ainda vem a dura realidade de encararmos que muitos profissionais da área simplesmente não estão treinados para lidar com pacientes que não estão fazendo um simples exame de rotina… A falta de empatia por parte deles faz com que a gente ainda tenha a sensação de que estamos pulando de paraquedas, mas nesse caso o paraquedas principal não abriu… Fica a dica para os gestores dessas clínicas: treinamento. De nada pela consultoria gratuita.

 

Enquanto isso não ocorre, ficamos nós, pacientes “em remissão” ou “em acompanhamento”, periodicamente participando de séries de aventuras, sem ganhar uma viagem para mergulhar em corais paradisíacos, uma bicicleta com banquinho de gel ou uma prancha “style” para continuarmos vivendo com essa adrenalina que faz questão de aparecer de tempos em tempos. Continuemos nos contentando com o chocolate quente com biscoito das clínicas e o aventalzinho “bunda-de-fora-zero-glamour” e sendo muito feliz não com uma descida de corredeiras, mas sim com um “NORMAL”. E sejamos felizes.

 

P.S. Aceitamos doações para viagens pelo mundo. Dispensamos por ora mais chocolates quentes, agulhas e aventais. Obrigada. Aloha.

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