Câncer de mama metastático: três mulheres inspiradoras contam como convivem com as descobertas e os desafios da doença

O câncer de mama é o segundo tipo mais comum em mulheres de todo o mundo, atrás apenas do câncer de pele não melanoma. Dados do último levantamento da IARC – Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer, órgão da Organização Mundial da Saúde (OMS), realizado em 2012, revelaram que mais de 1,7 milhão de pessoas em todo o
mundo foram diagnosticadas com tumores na mama naquele ano. No Brasil, estimativas do INCA – Instituto Nacional do Câncer indicam mais de 57 mil novos casos a cada ano. Estima-se que 30% dos casos de câncer de mama inicial evoluam para metástase – quando o tumor se espalha para outros órgãos do organismo –, sendo mais frequente nos ossos, pulmão, fígado e cérebro. O risco de o câncer de mama retornar e gerar metástase depende da biologia do tumor e do estágio em que ele se encontra no momento do diagnóstico, podendo variar de pessoa para pessoa. Assim como a sobrevida: com o avanço da medicina, já é possível tratar o câncer de mama metastático como se trata uma doença crônica, controlando os sintomas e melhorando a qualidade de vida da paciente.

É o que afirma Luiz Henrique Gebrim, mastologista e diretor do Hospital Pérola Byington (SP) e professor de Mastologia da UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo), centro de referência na saúde da mulher. “Apesar de ser mais difícil de chegar à cura nesse estágio da doença, o diagnóstico de metástase não é mais encarado como sentença de morte. Hoje, é possível considerá-lo como mais um desafio a ser vencido na busca pelo controle e estabilização da doença”. Nesse sentido, o médico destaca o desenvolvimento de tratamentos inovadores, que retardam o uso da quimioterapia, prolongando o tempo de sobrevida livre de progressão da doença e oferecendo menos efeitos colaterais – resultando em mais qualidade de vida. “O tratamento de qualquer doença envolve certas limitações, e com o câncer de mama metastático não seria diferente. Porém, é possível ter mais dias bons do que dias difíceis, e retomar atividades rotineiras, como trabalho, compromissos pessoais e viagens de lazer”, completa Luiz Henrique Gebrim.

Conheça as histórias de três mulheres que relatam como é conviver com esse tipo de câncer

 

“Não é possível sair imune de um câncer, mas é possível sair mais forte” 

A jornalista Ana Michelle Soares, 34, recebeu o diagnóstico de câncer de mama aos 28 anos. Passou por uma cirurgia, sessões de quimioterapia e, após quatro anos de acompanhamento, se preparava para receber alta completa. Até que, em 2015, veio o diagnóstico de metástase – e, com ele, uma revisão de prioridades. “Quando finalizei o tratamento inicial, a única coisa que passava pela minha cabeça era recuperar o tempo perdido. Com a notícia da metástase, virei a chave: eu precisava viver”, conta. “Comecei a valorizar pequenas coisas e a comemorar cada conquista, a celebrar o quanto é bom estar vivo”. Para ela, o mais importante é aprender como driblar os desafios do tratamento. “Há dias difíceis, mas eles não são meu foco. Organizo meu tratamento e, a cada folga na medicação, tenho um tempo só para mim. Descobri que amo viajar e essa tem sido uma das minhas motivações. Ano passado, fiz um cruzeiro pela Europa com amigas; neste ano, levei meu pais para o Chile para verem a neve pela primeira vez e já estou planejando a próxima parada. Não deixo o câncer ditar meu ritmo. Sou grata pela minha vida e aproveito tudo o que ela tem a oferecer”.

“Aprendi que é fundamental ter alguém que entende exatamente o que você está passando para compartilhar medos, dúvidas e sonhos”

Renata Lujan, 37, é professora e foi diagnosticada com câncer de mama em 2013, a três meses de seu casamento. Há dois anos, quando já havia se recuperado, um exame identificou nódulos no fígado: o câncer havia se espalhado. Foi compartilhando o exame em um grupo das redes sociais que Renata conheceu Ana Michelle. Elas se tornaram amigas e contam sobre essa jornada no perfil @paliativas. “Na internet, tem muita informação sobre câncer de mama, mas não sobre o estágio avançado, e isso faz falta. Ouvi do meu médico que eu teria somente ‘meses’ de vida, e se não tivesse o apoio de quem está passando pela mesma situação, seria ainda mais assustador. É como uma terapia, mas ainda melhor”. Renata afirma que, apesar dos momentos difíceis, considera que vive melhor agora do que antes. “Certo dia, vi uma foto minha sem cabelo e me achei bonita, e foi aí que me aceitei. E então tudo ficou mais fácil. É necessário fazer escolhas, mas aprendi a ser feliz com as que fiz. Hoje, sou uma ‘caçadora de pôr-do- sol’, desfruto cada momento como se fosse o último. As limitações que enfrento são apenas materiais, e não de afeto”.

“‘Metástase’ quer dizer muita coisa, inclusive que você pode ficar vivo por vários anos. É difícil, mas é possível”

Hoje Youtuber, Jussara Del Moral, 53, está em tratamento contra o câncer de mama desde 2007. Passou por cirurgias, quimioterapia, radioterapia e, em 2009 e 2013, vivenciou os piores momentos de sua jornada: metástases no pulmão – um dos tipos mais desafiadores de tratar – e na calota craniana, respectivamente. Hoje, dez anos depois do diagnóstico inicial, ela segue com o tratamento e diz não ser “amiga” do câncer, mas ter “uma boa convivência”. “Eu tenho câncer há 10 anos. Pode, sim, existir uma vida boa mesmo tendo a doença. Sou a prova disso! Acho que vivi mais nesses últimos anos do que nos 40 antes do diagnóstico”. Da luta contra o câncer, surgiu o canal SuperVivente, onde Jussara compartilha, com bom humor, as surpresas e desafios do dia-a- dia com metástase. “É assim que me vejo, uma supervivente! A vida é muito boa para apenas sobrevivermos. Valorizo o que me dá prazer – seja dormir, quando não estou muito bem, ou viajar, que é algo que amo!”, conta ela, que recentemente curtiu férias na Califórnia (EUA) na companhia do filho.

 

Sobre a Campanha Outubro Rosa Choque

Essas três histórias têm um ponto em comum: Ana Michelle, Renata e Jussara são as protagonistas da campanha “Outubro Rosa Choque: na hora da luta, o instinto aparece”, promovida pela Novartis. Para Luciana Holtz, presidente e fundadora do Instituto Oncoguia, câncer de mama metastático é uma doença que precisa ser discutida. Há muito que se pode fazer para ajudar a paciente e isso precisa se tornar uma prioridade no país. De acordo com as próprias pacientes, que fazem parte da rede Oncoguia, é a primeira vez que uma campanha chama a atenção para a fase avançada do câncer de mama, contribuindo para um melhor entendimento da doença e das necessidades dessas pacientes. Tendo como tema central a força da mulher, a primeira fase da campanha traz essas mulheres guerreiras transformadas em feras pelos artistas Alma Negrot e Koichi Sonoda, especialistas em body painting. O resultado pode ser conferido em: http://saude.novartis.com.br/cancer-de-mama/outubro-rosa-choque-luta-contra-o-cancer-de-mama-avancado/

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