A minha voz é a mesma, mas os meus cabelos… QUE CABELOS?

Quando recebi o diagnóstico pensei em zilhões de coisas, mas a última foi que iria perder minhas madeixas. Meu cabelinho tava mais ou menos no ombro, meio chanelzinho com ponta e tal, me achava quase uma Victoria Beckham! O médico já foi logo mandando eu cortar mais curtinho, e eu ja pensei “huuuuum, agora vou de Anne Hathaway”.

Passado os 15 primeiros dias da 1º quimio eu já tava quase um Tio It da família Adams, soltando cabelos por todo lado. Mas era fim de ano e eu não queria passar o Ano Novo de careca brilhando, então segurei. Dia 03 de janeiro de 2014, um sábado, eu acordei e disse: É HOJE! Passei mensagens no whats para os mais chegados, avisei que era “O” dia e que para ter direito a rasparem um pedacinho do meu cabelo eles tinham que me presentear com um lenço.

Quem vinha com papo de “ah meu Deus, eu vou chorar” eu já mandava ficar em casa e nem aparecer (Santo Oncocard). Eu sabia que não ia ser fácil, em especial para minha família, mas meu lema desde o início era “se a vida lhe der limões, faça uma limonada” e eu queria a minha bem docinha. Comprei champanhe (ahahahaha, sou fraca não) e quitutes gostosinhos. Fiz plaquinhas divertidas, decorei a casa da minha tia onde estava passando uns dias e esperei a galera chegar.

Foi uma farra!! Eu nem chorei! Na verdade eu não sofri muito não, meu cabelo quando criança era bem cacheadinho, maaaas eu adolescente tola resolvi alisar pra entrar na moda, e ai já viram né? Era mais uma refém do formol e da chapinha. Eu brincava com minha cabeleireira que ia raspar pra ele crescer cacheadinho de novo. Ó AI,  parece que eu já tava adivinhando. Ele agora tá nascendo ainda “indeciso” não sei se vai ser encaracoladinho ou liso, vamos ver( aqui em casa já rola até bolão de apostas, ahahahaha).

Nem adianta dizer que “cabelo é do de menos, cabelo cresce, o importante é a cura” minha vontade era dar 3 tapas na cara de quem vinha com esses clichês e dizer: AH É? Raspa o teu então fofa! Mas eu me segurava. O fato é que TUDO PASSA! Acho q essa foi das maiores lições que o câncer me deixou: seja bom ou seja ruim, TUDO PASSA!

Minha fase careca passou, aproveitei muito com lenços, chapéis e até saia com ela brilhando quando eu tava a fim. Fui até pra praia me sentindo a Luana do Rei do Gado, de lenço e chapéu de palha, ahahahahaha. Vi muitos videos tutoriais e procurava usar sempre “penteados” diferentes. Quando passou doei a maioria dos lenços, outros viraram meus xodózinhos. O maior prazer depois que ele começou a crescer foi usar uns shampoos e cremes importados bem caros que eu tinha comprado antes do diagnóstico e um óleo de argan (que coisa de mulherzinha!) Além da lição de que tudo passa, o câncer me deixou essa também: aprender a ter prazer com as pequeninas coisas.

 

Magda Letícia B. Mendonça, descobri o Câncer de Mama aos 26 anos. Sou Pernambucana arretada, professora dedicada e uma Menina de Peito com muito orgulho.
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